sexta-feira, 28 de julho de 2017

Christopher Nolan | Dunkirk (2017)

Sessão Trailer Especial 
(Rápidos comentários cinematográficos!)




Às vezes pode ser “celeuma”, outras vezes a mais pura decepção. O velho e conhecido: “esperava mais em se tratando de...”, no caso, Christopher Nolan, um dos cineastas contemporâneos mais interessantes dos últimos anos. Amado e odiado ou no meio-termo. Mas, para falar a verdade, ele não entrega uma obra-prima desde “Batman – O Cavaleiro das Trevas” (2008), visto que, revendo seus filmes posteriores (até mesmo “A Origem” na qual tenho predileção) ainda não superaram o êxito da fita do Coringa!

Bem, “Dunkirk” ganha em seu acabamento técnico, mas, infelizmente, fiquei entediado com a premissa. Roteiro original do próprio Nolan inspirado em fatos reais, no caso, a vida dura e perigosa no front durante a Segunda Guerra Mundial, a retirada de Dunquerque.  Talvez, não deveria ter assistido um documentário muito bom sobre o Castelo de Dover e toda a história passada em Dover que mostra, depois, os fatos em Dunkirk. Muito menos, ter revisto o clássico de 1958 de mesmo nome dirigido por Leslie Norman.  Não que eu tenha odiado com a força da minha alma. Não. Por exemplo, a primeira sequência que evidencia uma rua residencial fantasma onde um grupo de soldados procuram escapar do cerco alemão é fantástica. Nolan pontua nas titulagens um resumo genérico dos acontecimentos enquanto volta e intercala nestes jovens soldados famintos, com sede, à procura de abrigo, enquanto caminham admirando as várias fileiras de casas abandonadas. O Silêncio é aterrador, embora a ausência de diálogos em grande parte da fita tenha me incomodado. Até entendo que Nolan almeja um tipo de imersão que lhe é típico através de seu virtuosismo, sua marca registrada, já que sempre foi um executor do IMAX e há no filme momentos inesperados como o primeiro tiro que me faz saltar da poltrona! Okay, penso, isso é apenas o começo... vai ser aquele filmaço... além do grande trabalho do sonoplasta já nas primeiras cenas e a trilha musical de Hans Zimmer, que na minha opinião, é certamente o único item que mais me impressiona em todo a fita.  

O filme se abre e, confesso, quando o sortudo Tommy (Fionn Whitehead, ótimo ator, diga-se) é salvo da morte certa e entra na praia, me fez lembrar de Dorothy saindo de sua casa do Kansas e adentrando em Oz. Só que não se trata de flores, Munchkins, estrada de tijolos amarelos e tampouco arco-íris, mas da cinzenta, sofrida e terrificante concentração de medo, covardia, coragem, tudo à espera de um milagre. Do resgate. A famosa ‘Operação Dínamo’ de Churchill. Contudo, a construção de tempo que Nolan recria aqui, ações paralelas em sua estrutura narrativa, enfim, ao menos para mim prejudica a experiência. Não que quisesse ver um filme de guerra como sendo um fenômeno na linha de “O Resgate do Soldado Ryan” ou “Nascido Para Matar”, aliás,  sabia que seria sobre a evacuação. Mas a lentidão das cenas aéreas e marítimas (não sei por que diabos fui rever, também, meu filme predileto sobre U-boat: “O Barco: Inferno no mar”, 1981, de Wolfgang Petersen) mesmo que bem feitas, acabam sendo enfadonhas.

Mesmo com toda a sofisticação do diretor, o drama é aborrecido. Nenhum personagem me emociona a ponto de torcer pela aliança franco-britânica. É curioso como Nolan deixa passar o principal ingrediente de um drama de guerra ou um filme inspirado em tragédias reais, isto é, ater-se ao elemento fundamental de escolher um protagonista (o problema de Dunkirk é que não sei quem é...) e construir aí uma linha de mão única. Que fosse o Tommy, né? Mas, não.  Tom Hardy está lá no céu pilotando e salvando o dia dizendo poucas palavras, mirando o alvo no inimigo (ar), protegendo os colegas em alto mar, Mark Rylance, um civil inglês que leva o seu barco para ajudar no resgate corajoso (foi, de fato, uma medida desesperada - mar) e o comandante vivido por Kenneth Branagh que não pretende abandonar o posto (terra). Além de coadjuvantes que não tem muito a oferecer a não ser causar pânico bancando o que tem  de mais clichê num soldado com trauma da guerra (durante a guerra!) como é o caso de Cillian Murphy. A incerteza, imprecisão, sucede nestes vários núcleos que se fundem. 

Ao menos, toda a grandiosidade da evacuação, milhares se soldados na praia, bombardeiros, naufrágios, tiros e mais explosões, etc, são bem realizados. Há um bom clima de filme de “Suspense-Ação” por isso, apesar da temática, nem creio que seja um filme de Guerra propriamente. E não há problema algum. Só aguardava por um roteiro com uma estrutura mais clássica. Não em sua edição de filmagem final, até concordo com uma narrativa não linear, mas digo de um personagem (ou até dois), ou seja, que me fizesse embarcar nesta jornada de fuga e sobrevivência e que não tivesse tanta falta de empatia e frieza. 

“Dunkink” acaba sendo um filme histórico que não conta tão bem a história, além de cair na armadilha moral patriótica ruidosa e perigosa longe de ser antibelicista. Personagens que não agradam, nem agregam. Apenas bons momentos de tensão e ação em seu deleite visual. Mas nada que me faça consagrá-lo como o melhor filme do ano.


Reino Unido | Holanda | França | Estados Unidos
Ação-Drama-Histórico
1h 46min.
U Christopher Nolan
★★☆☆☆






Um Filme De CHRISTOPHER NOLAN
DUNKIRK

com: Fionn Whitehead  Damien Bonnard  Aneurin Barnard  Mark Rylance  
James D'Arcy  Jack Lowden  Cillian Murphy  Kenneth Branagh  Tom Hardy

Música Hans Zimmer     Fotografado por Hoyte Van Hoytema
Edição de Filmagem Lee Smith      Direção de Arte Nathan Crowley

Produzido por  
Christopher Nolan p.g.a.         Emma Thomas p.g.a.

Escrito e Dirigido por Christopher Nolan

©2017
Warner Bros. Syncopy Dombey Street Productions  Kaap Holland Film
Canal + Ciné+ RatPac-Dune Entertainment

3 comentários:

Hugo disse...

Está na minha lista para conferir.

Abraço

Amanda Aouad disse...

Oi, Rodrigo, é isso, não consigo chamar de um filme histórico, ainda que tenha um recorte da História. Acho que o que ele quis aqui foi mesmo explorar um espetáculo fílmico de uma batalha, o que eticamente pode até ser questionável. A verdade é que Dunkirk busca prazer estético. Cansa por diversos motivos, não criar empatia com as personagens e não dar momentos de respiros para a emoção surgir ou o temor ter impacto, são os que me saltam aos olhos. Mas acho que o que ele queria era isso mesmo.

E concordo que Nolan está devendo um outro grande filme desde A Origem (que pode não ser obra-prima, mas é grande e eu adoro, por isso, coloquei ele como marco e não Batman, rs).

bjs

Marcelo Keiser disse...

Quero assistir a esse filme, mas depois de ler um punhado de críticas medianas sobre ele, pretendo deixar para conferir na telinha mesmo. Embora goste muito de filmes de guerra épicos, curiosamente esse nunca me chamou muita atenção. Ótimo texto!

Abraço